"Olho para o mar e penso... penso que é um dia importante para ti... penso que talvez se feche um circulo, finalmente! Às vezes penso se te arrependes? se o facto de teres feito da minha vida um inferno te deixa mal? Passaram quase 7 anos e ainda tenho medo, sabes? ainda tenho pesadelos, ainda choro... Quase todas as noites nas minhas orações peço a Deus que me ajude a perdoar-te, que me tire este peso do coração, este odio, mas acho que ainda não conseguí. Queria muito não te detestar tanto, queria muito que o facto de entrar num sitio onde estás ou de tu entrares onde estou não me incomodasse, mas incomoda... lembraste? Consegues lembrar-te da primeira vez que aconteceu? Deviamos namorar à apenas três semanas, e discutimos, eu não te conhecia assim, nervoso, a gritar, lembro-me que estava com o coração apertado, sem entender nada, era tão nova meu Deus... disseste: "vou-me embora!", e eu ingenua e parva pedí:"Não vás, fica!, vamos resolver isto...", agarraste-me pelos braços e atiraste-me contra a parede, batí com a cabeça e caí, quando abrí os olhos a minha mente apenas repetia: isto não aconteceu, não aconteceu, não aconteceu..., e no dia seguinte apareceste a pedir desculpa, que não podias viver sem mim, que aquilo que tinha acontecido nunca mais se ia repetir, que a culpa não era tua, era minha por te obrigar a fazer aquilo, e eu perdoei e assimilei que a culpa foi minha, e a partir daquele dia eram quase todas as semanas durante 5 longos anos... E quando finalmente tive coragem ameaçaste que me matavas, se não era tua não era de mais ninguem, que matavas a minha familia e durante meses transformaste a minha vida num pesadelo, transformaste o meu dia a dia e passei a viver com medo constante... sabes o pior?? é que ainda hoje tenho medo de ti... todos me acham louca, porque tu és tão boa pessoa, tão... mas o mês passado quando me encontraste no café disseste a um amigo teu que estava na mesa: "- ainda não me esquecí! As coisas quando não são minhas, não são de mais ninguem," e o teu amigo respondeu que não te estava a entender e tu disseste: "estou a dizer que não podes andar tranquilo, que quando menos esperares vou estar lá e apanhar-te e depois já sabes o que farei...", o amigo ficou a olhar e disse: é pá deves estar na brincadeira porque eu não estou a entender nada..., mas eu fiquei petrificada e soube que aquilo não era para o teu amigo, aquilo era para mim.
Agora foi o teu grande dia, será que isso significa que finalmente posso deixar de ter medo? Quem me dera...
Queria muito deixar de te odiar... queria que isto mau saisse do meu coração... muito..."